“A colheita é grande mesmo, mas os trabalhadores são poucos. Peçam ao dono da plantação que mande mais trabalhadores para fazerem a colheita.” (Jesus, em Mateus 9.37-38)

Logo Semeador

Home testemunho Frederick Glass: o notável colportor do Centro-Oeste

Frederick Glass: o notável colportor do Centro-Oeste

Além de trabalhar durante muitos anos para a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, Frederick Glass foi também colportor da Missão Help for Brazil, criada em 1893 pela missionária Sarah Poulton Kalley, com a finalidade de enviar obreiros para o Brasil.


Frederick Charles Glass, um jovem engenheiro inglês, veio para o Brasil aos 21 anos. No final do século 19, converteu-se a Cristo e deixou sua profissão para se dedicar à divulgação da Bíblia no Brasil. Tornou-se um colportor da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira no Brasil e, durante quase toda a primeira metade do século 20, viajou pelo País distribuindo as Escrituras Sagradas.

Em 1906, mudou-se para o Estado de Goiás, onde concentrou suas atividades, tornando-se um dos grandes desbravadores do Centro-Oeste brasileiro. Durante suas longas jornadas a cavalo, quase sempre acompanhado de um ou dois colportores, viveu emocionantes experiências, algumas das quais narramos aqui.

Em 1897, Glass fez sua primeira viagem como colportor, promovendo a distribuição das Escrituras nas cidades, povoados e fazendas do interior dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. Essa primeira experiência foi uma boa amostra do que ele teria de enfrentar ao longo de sua extensa carreira de colportor.

Ele e seu colega Frank saíram da cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, montados em lombo de mulas, levando um grande carregamento de Bíblias, Novos Testamentos e Evangelhos e rumaram para Ouro Preto, cidade que naquela época era a capital de Minas Gerais.

Seria uma longa jornada, de cerca de 600 quilômetros, e como eles costumavam parar em todos os povoados para vender seus livros, calcularam que chegariam a seu destino depois de um mês.

Para fazer frente às despesas de hospedagem e alimentação durante a viagem, dispunham de apenas 10 mil réis e do estoque de Escrituras que iriam vender pelo caminho.

Quando passavam por alguma cidade, se alojavam em pequenos hotéis e conseguiam dormir com relativo conforto. Mas, na maioria das vezes, dormiam ao relento. Um dia, os animais se assustaram com o cheiro de algum animal selvagem e saíram correndo pelo mato, deixando os livros espalhados pelo chão. A muito custo, Glass e Frank conseguiram trazer de volta os animais e recuperar a preciosa carga. No terceiro dia de viagem chegaram à cidade de Santa Leopoldina, ainda no Estado do Espírito Santo, onde conseguiram dormir e se alimentar melhor.

Nessa cidade, eles venderam uma boa quantidade de Bíblias e conseguiram mais algum dinheiro para as despesas de viagem. Porém, enquanto vendiam Escrituras, aconteceu um imprevisto, que quase arruinou a viagem. Um fiscal desonesto fez uma denúncia contra eles, dizendo que não tinham licença para vender livros e lhes aplicou uma multa de 12 mil réis. A multa era injusta, mas eles tiveram que pagá-la para poder continuar a viagem. Meses depois, a justiça reconheceu que a multa havia sido cobrada indevidamente e restituiu a importância paga. Mas, como tiveram de desembolsar aquele dinheiro e pagar o hotel, Glass e seu companheiro de viagem ficaram com apenas 500 réis para dormir e se sustentar durante os 560 quilômetros que faltavam para chegar a Ouro Preto.

Com o pouco dinheiro que sobrou, compraram alguns quilos de feijão, arroz, sal e carne seca e seguiram viagem. E, no restante do caminho, não puderam mais se hospedar em hotéis nem comer em restaurantes. O mantimento que haviam comprado acabou logo, mas Glass e Frank conseguiram vender algumas Escrituras para viajantes com quem cruzaram e, com o dinheiro das vendas, puderam comprar mais mantimento.

Chegando a uma fazenda, à beira da estrada, o dono disse a eles que podiam soltar os animais em um pasto fechado ao preço de um tostão e permitiu que dormissem num galinheiro sujo.

Deitaram ali, sem colchão nem cobertor, e só conseguiram dormir porque estavam exaustos. Ao longo de várias semanas, não tiveram uma cama para dormir e sempre que encontravam um rio ou riacho, aproveitavam para tomar banho e lavar roupas.

A primeira jornada do colportor Frederick Glass foi longa, difícil e sofrida, mas ele e seu colega Frank chegaram felizes ao seu destino e agradecidos a Deus pelo que havia acontecido. Isso porque, quando entraram montando suas mulas na cidade de Ouro Preto, estavam vivos e com saúde, tinham vendido pelo caminho todas as Escrituras que haviam levado e dispunham de uma quantia em dinheiro maior do que um mês antes, quando haviam saído da cidade de Vitória.

Além de trabalhar durante muitos anos para a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, Frederick Glass foi também colportor da Missão Help for Brazil, criada em 1893 pela missionária Sarah Poulton Kalley, com a finalidade de enviar obreiros para o Brasil.

Durante quase meio século, Glass promoveu com entusiasmo a distribuição da Bíblia nos estados do Amazonas, Pará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, tornando-se um colportor conhecido, respeitado e querido em todo o País.

Como membro ativo da Igreja Cristã Evangélica do Brasil, auxiliou os obreiros de sua Igreja, Ricardo José do Vale e Joaquim Portilho, a organizarem, em 1902, a igreja de Catalão e, em 1904, a igreja de Santa Cruz, ambas em Goiás. Em 1906, Glass foi morar com a família em Vila Boa, então capital de Goiás, e lá fundou também uma igreja da sua denominação.

Em 1926, Frederick Charles Glass publicou na Inglaterra a primeira edição do seu livro Adventures with the Bible in Brazil, que narra suas experiências como colportor em terras brasileiras e foi muito apreciado pelo público evangélico daquele país, sendo reeditado várias vezes. Após a sua morte, aos 83 anos de idade, ocorrida no Brasil, em 1954, seu filho David Glass, então diretor da Livraria Evangélica do Rio de Janeiro, publicou a tradução em português desse livro, com o título Aventuras com a Bíblia no Brasil.

*História extraída do livro Semeadores da Palavra, de Luiz Antonio Giraldi, publicado pela Sociedade Bíblica do Brasil.

Depoimentos e histórias

Antão Pessoa: o famoso colportor do Nordeste

Colportor, Nordeste

Antão Pessoa realizou uma longa jornada de colportagem pelo vale do rio São Francisco.

(mais…)

Thomás Gallart: o primeiro colportor na Bahia

Colportor - Bahia

Foi contratado como colportor pela Sociedade Bíblica Americana para trabalhar na província da Bahia, onde havia morado.
(mais…)

João Batista Pinheiro: o valente colportor do Maranhão

Colportor, Maranhão

George Thomas fundou em Barra do Corda o Instituto Bíblico do Maranhão.
(mais…)

leia todos os depoimentos

Quero ser um semeador

Junte-se agora