“A colheita é grande mesmo, mas os trabalhadores são poucos. Peçam ao dono da plantação que mande mais trabalhadores para fazerem a colheita.” (Jesus, em Mateus 9.37-38)

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Antão Pessoa: o famoso colportor do Nordeste

Antão Pessoa realizou uma longa jornada de colportagem pelo vale do rio São Francisco.

Antão Pessoa foi um famoso colportor que trabalhou no Nordeste do Brasil para a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE), durante as primeiras décadas do século 20. Antes de ser colportor, ele trabalhou na Amazônia como seringueiro e como marinheiro. Converteu-se ao evangelho durante uma série de pregações dada pelo colportor Frederick Charles Glass a um grupo de marinheiros, no interior da Amazônia. Após a sua conversão, Antão resolveu estudar a Bíblia e dar aulas aos seus colegas marinheiros sobre o que ia aprendendo durante a sua leitura. E cerca de dez deles também se converteram. Glass manteve contato com Antão e lhe enviou muitos exemplares da Bíblia e do Novo Testamento para o seu trabalho evangelístico. Algum tempo depois, Antão e Glass se encontraram na cidade de Maceió e Antão resolveu incorporar-se à sua equipe de colportores, tornando-se um dos melhores colportores do Nordeste.

Durante sua longa carreira, Antão visitou repetidas vezes os estados da Bahia, Mato Grosso, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Amazonas. Mas a maior parte da sua carreira foi dedicada à região Nordeste. Ele fazia parte da tradicional família Pessoa, à qual pertenceram o presidente da República Epitácio Pessoa e o governador da Paraíba, João Pessoa. No entanto, era uma pessoa humilde e jamais se aproveitou de sua origem familiar para se promover ou beneficiar o seu trabalho.

Antão foi uma das figuras mais conhecidas e queridas das igrejas evangélicas daquela região, distribuiu milhares de exemplares das Sagradas Escrituras e deu uma grande contribuição para o desenvolvimento do evangelho no Nordeste do Brasil. Em seu livro Aventuras com a Bíblia no Brasil, Frederick Charles Glass conta diversas experiências vividas por seu colega de trabalho Antão Pessoa. Duas delas são relatada a seguir.

A conversão do alcoólatra – Certo dia, Antão Pessoa estava atravessando uma mata muito fechada, quando se deparou com uma pequena cabana de madeira e então decidiu pedir pousada ali, naquela noite. Para a sua surpresa, descobriu que o dono da cabana era um homem crente, que havia se convertido ao evangelho de maneira extraordinária.
Durante muitos anos, aquele homem havia sido alcoólatra. Um dia, levou uma garrafa vazia a um bar da vila mais próxima para enchê-la de cachaça. Como não tinha uma rolha para tapar a boca da garrafa, o dono da taberna improvisou uma tampa com uma folha de papel usado que estava sobre o balcão.

Quando ele chegou à sua casa e retirou a rolha improvisada, a folha de papel se desenrolou e ele viu algumas palavras escritas nela. Com dificuldade, conseguiu soletrar a primeira linha, que dizia: “Nem os bêbados… entrarão no Reino de Deus”. (1 Co 6.10)

Assustado, ele atirou a garrafa pela janela e saiu correndo de volta ao lugar onde havia comprado a garrafa de cachaça. Chegando lá, encontrou em cima do balcão do bar os restos de um livro rasgado. A rolha improvisada tinha sido feita com uma folha daquele livro. E, examinando bem aquelas folhas, ele verificou que elas faziam parte de um livro chamado O Novo Testamento.

Ele nunca havia ouvido falar daquele livro. Mas, muito impressionado com aquelas palavras, o homem levou para casa o que restava do livro e, em pouco tempo, leu todas as folhas soltas. Durante a leitura, sua mente se iluminou e ele compreendeu a mensagem do evangelho. Isso havia acontecido havia muito tempo e ele nunca havia encontrado outra pessoa que conhecesse o Novo Testamento. Antão era a primeiro crente com quem entrava em contato. Disse a ele que era um novo homem, um seguidor de Cristo, e que gostaria de ser batizado. Depois de ouvir essa impressionante experiência de conversão unicamente por meio da leitura das Escrituras, Antão prometeu àquele homem que pediria para um missionário visitá-lo e batizá-lo. E isso realmente aconteceu. Poucos meses depois, aquele homem recebeu a visita de um missionário e foi batizado.

Colportagem no rio São Francisco – Era um ano de muita seca no nordeste do Brasil e o grande rio São Francisco estava muito baixo devido à falta de chuva. Pequenos navios e barcos a vapor ficavam encalhados nos bancos de areia, aguardando a chegada da estação das chuvas para voltar a navegar e continuar sua viagem. Naqueles primeiros anos do século 20, o norte da Bahia tinha poucas estradas e, para muitos povoados, o rio São Francisco era a única via de acesso a outras localidades.

Antão Pessoa estava realizando uma longa jornada de colportagem pelo vale do rio São Francisco, havia terminado seu trabalho de distribuição de Escrituras em uma vila do norte da Bahia. Por falta de transporte, estava impedido de prosseguir viagem para visitar outros povoados da região. Como ex-marinheiro, ele conhecia como poucos aquele rio e sabia remar e nadar muito bem. Comprou por quase nada uma canoa feita de tronco de árvore, colocou dentro dela alimentos suficientes para vários dias e sua carga de Escrituras e seguiu remando rio abaixo. Quando encontrava alguma casa à beira do Rio, parava para conversar com os ribeirinhos, oferecia a Bíblia e, se a pessoa não tinha dinheiro nem algo para dar em troca, Antão oferecia gratuitamente um exemplar de um dos Evangelhos.

Durante duas semanas, Antão remou debaixo de um sol escaldante, enfrentou torrentes e redemoinhos. Pouco antes de chegar ao povoado mais próximo, caiu uma forte tempestade. Quando chegou ao povoado, as ruas estavam totalmente alagadas. Então procurou uma casa para descansar e secar suas roupas, mas os moradores dali o olharam com desconfiança e ninguém lhe ofereceu hospedagem. Então, alguém lhe disse que poderia se abrigar na prisão da cidade. Na falta de coisa melhor, ele se dirigiu para lá e teve uma surpresa agradável: a prisão estava vazia.

A presença de um forasteiro na cadeia do povoado atraiu logo a atenção de todos. Muitas pessoas foram visitá-lo para saber quem era ele, como havia chegado ali e o que estava fazendo no povoado. Isso lhe deu oportunidade de oferecer seus livros e vender muitos Evangelhos, Novos Testamentos e Bíblias. Após alguns dias naquele lugar, Antão conquistou a confiança de muitos moradores e, então, pôde realizar um culto, expondo a mensagem das Escrituras para muita gente que nunca havia ouvido falar do evangelho.

Quando o tempo melhorou e suas roupas secaram, Antão comprou mantimento suficiente para mais alguns dias de viagem, colocou sua carga na canoa, despediu-se das pessoas conhecidas e seguiu viagem, remando rio abaixo.

Cerca de duas semanas depois, chegou a uma estrada de ferro francesa que corria em direção ao mar e embarcou de volta para sua casa.

*História extraída do livro Semeadores da Palavra, de Luiz Antonio Giraldi, publicado pela Sociedade Bíblica do Brasil.

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