Sociedade Bíblica do Brasil

Outras Línguas Brasileiras

No Brasil, são faladas mais de 200 línguas e pouco mais de 40 têm a Bíblia ou parte dela traduzida.
"A explicação da tua palavra traz luz e dá sabedoria às pessoas simples”
(Salmo 119.130)

Embora, por vezes, se tenha a impressão de que no Brasil se fala uma única língua, o português, isto não corresponde com a verdade. Aqui são faladas, além do português, mais umas duzentas línguas: 180 línguas indígenas ou autóctones e umas 20 línguas de imigração. E existe, ainda, a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Línguas Indígenas

No Brasil, a população indígena não chega a um milhão de pessoas, sendo, portanto, menos do que um por cento de toda a população brasileira. Além disso, poucas etnias reúnem mais de 20 mil pessoas. A média de falantes por língua fica em torno de 200 pessoas.

Em termos de tradução bíblica, já existem no Brasil, hoje, quatro Bíblias completas em línguas indígenas. A primeira foi a Bíblia em Waiwai (2002) e a mais recente é a Bíblia em Kaingang (2012). Além disso, o Novo Testamento já está traduzido em mais 35 línguas indígenas.

 

1. Línguas Indígenas

Línguas de Imigração

Quanto aos falantes de línguas alóctones ou de imigração (como alemão, espanhol, japonês, chinês, francês etc.), não há dados estatísticos precisos. Tudo indica que a segunda língua mais falada do Brasil seja o alemão, em suas duas vertentes principais, o hunsrik e o pomerano.

Para muitos imigrantes, como os espanhóis e franceses, uma tradução feita em outro lugar ou país pode ser perfeitamente satisfatória. Não é o caso da maioria dos falantes de línguas germânicas no Brasil, particularmente o hunsrik e o pomerano. Estas são línguas do baixo-alemão e os falantes dessas línguas têm dificuldade de entender o alto-alemão. Hunsrik e pomerano são línguas ágrafas, ou seja, nunca foram escritas. Os primeiros ensaios de tradução da Bíblia para essas línguas estão sendo feitos em nossos dias, em projetos que têm a participação da Sociedade Bíblica do Brasil.

Libras (Língua Brasileira de Sinais)

Embora para muitos possa parecer que a comunicação com os surdos e dos surdos entre si necessite apenas de um alfabeto especial (como no caso do Braile), também esta é uma percepção errônea. Libras é uma língua própria, com estrutura gramatical, vocabulário e tudo mais que caracteriza uma língua. Portanto, “falar” em Libras é muito mais do que “sinalizar o português”. Colocar a Bíblia em Libras é um processo demorado, pois envolve uma nova tradução.

 

A Sociedade Bíblica do Brasil já lançou quatro histórias da série Aventuras da Bíblia em tradução para Libras. É um projeto desafiador, que está sendo levado adiante por uma equipe de tradução baseada em Curitiba, PR.

 

2. Libras

A Missão da SBB

Desde 2001, a Sociedade Bíblica do Brasil passou a intensificar seu programa de cooperação com instituições que se propõem a traduzir a Bíblia para línguas minoritárias.

Sociedade Internacional de Linguística

Instituto Socioambiental

Associação Linguística Evangélica Missionária

 

Com isso, quer contribuir para a preservação da cultura desses povos e reforçar mais uma vez a sua missão de levar a Palavra de Deus para todos os brasileiros.

Para quem fala waiwai, kaingang, pomerano, ou Libras, o português não será nunca a língua materna. Por isso, a missão de disponibilizar a Bíblia para todos inclui o compromisso de traduzir ou apoiar a tradução da Bíblia, ou de partes dela, para essas diferentes línguas.

O Processo de Tradução

O trabalho de tradução de toda a Bíblia para uma língua minoritária pode levar décadas. No caso do waiwai, foram necessários 28 anos para concluir a tradução do Novo Testamento. Para a Bíblia completa, foram necessários 53 anos.

O processo de tradução do texto bíblico para essas línguas é bastante complexo. Em geral, as línguas indígenas são ágrafas, ou seja, não têm representação gráfica ou alfabeto. São línguas apenas faladas. Com isso, as equipes que se envolvem nesse trabalho têm de conviver, durante décadas, diretamente com essa população a fim de aprender e normatizar a língua para a qual pretendem traduzir as Escrituras Sagradas. Além disso, têm de conhecer a realidade cultural em que está inserida a população, para buscar dentro da língua formas de traduzir o conteúdo das Escrituras. Um livro que traz grande número de exemplos deste tipo de desafio é o Léxico Grego-Português do Novo Testamento Baseado em Domínios Semânticos.